Em nota oficial divulgada após a entrada em vigor da nova sobretaxa norte-americana, o governo brasileiro classificou a taxação como "marco lastimável" nas relações entre os dois países e anunciou uma resposta em três frentes: acionar os instrumentos da Lei da Reciprocidade — aprovada por unanimidade no Congresso e regulamentada pelo Executivo —, retomar o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), e manter o Plano Brasil Soberano de proteção aos setores afetados.
A nota rebate ponto a ponto os fundamentos da investigação da Seção 301, que embasou a tarifa: defende o Pix como "patrimônio do povo" e referência internacional de infraestrutura pública digital, contesta as alegações sobre regulação de plataformas e classifica como "absurdas" as acusações relativas a desmatamento, citando a redução do desmatamento em todos os biomas desde 2023.
O governo também atribuiu o desfecho das investigações à atuação da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano — a Casa Branca vinculou expressamente a punição comercial ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF. A articulação da resposta é coordenada por um comitê interministerial sob o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin.
Por que importa para o eleitor: a tarifa afeta preços, empregos e setores exportadores em todo o país. A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil aplicar contramedidas — e o desdobramento define o clima econômico do segundo semestre, em plena campanha.
Fontes: Nota oficial da Presidência (perfil oficial de Lula); Revista Fórum; BBC Brasil; Gazeta do Povo.